sábado, 19 de janeiro de 2008

Mentira inocente...


Pois é, hoje lá tive de voltar a dar apoio moral à minha amiga. Combinámos um cinema ao final da tarde com uma ida ao saldos incluida (não há nada melhor para esquecer um desgosto amoroso do que um cartão de crédito bem estoirado numa tarde). E lá comecei por ouvir novamente toda aquela tragédia e a reforçar, após cada desabafo, todos os defeitos que caracterizam o tal sujeito. Estávamos nós em pleno "corte e costura" e a deitar pragas à recente aventura do rapaz, quando toca o telemóvel... era ele. Não pode mesmo ser boa pessoa, comentámos! Olhei para a minha amiga com aquele olhar acusador, na esperança que ela firmemente não atendesse (afirmação que tinha feito segundos antes - "nunca mais lhe atendo uma chamada!"). Mas não deixou tocar nem duas vezes e atendeu com uma vozinha melosa e arrastada, que metia nojo:
Ela (ao telemóvel): Tôô, és tu?
Eu (em pensamento): Nãooooo, é só o filho da mãe que foi para a neve com o teu dinheiro "comer" uma gaja!
Ela: Diz, está tudo bem?
Eu: ... aposto que ligou só para se certificar que ela está de rastos e a bater com a cabeça nas paredes.
Ela: Não, depois fiquei bem. Quase não dormi, mas...
Eu: Puxei de uma só vez a minha amiga para dentro da Berska, na esperança que aquela música alta pudesse abafar os disparates que ela se propunha a dizer ao telemóvel, bem como causar alguma curiosidade no tal sujeito. E resultou...
Ela: Não tás a ouvir? Onde é que eu estou? Estou aqui, hum...
Eu: A fazer sinais e a soletrar "BAR", estás num "BAR"!
Ela: ...hum, estou numa discoteca! É!
Eu: Numa discoteca às 19.30h?! Isto não vai correr bem...
Ela: Sim, vim aqui com uma amiga a um sítio novo e depois vamos ao cinema!
Eu: Pior ainda. Quem é que vai às 19.30h para uma discoteca para a seguir ir a uma sessão de cinema?! Hem? Seria uma mentira perfeita, desde que tivesse invertido o "programa das festas"!
Ela: Diz... não me estás a ouvir?
Eu: Deus queira que não! Que não tenha ouvido as últimas barbaridades que disseste!
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Porque é que o amor deixa as pessoas sem capacidade de raciocínio?
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Ela: Vais desligar? Então eu ligo-te mais tarde, pode ser?
Eu: Pode! Ele até agradece, porque assim és tu que pagas a chamada! Mas vê lá se não acertas no horário em que ele está com a outra. É que já agora, deve-lhe dar jeito que não lhe estragues o "arranjinho".
Ela: Olha? Desligou...
Eu: A sério? Deve de estar a digerir a linda história que lhe acabaste de contar...
Ela: Porquê? Achas que ele percebeu que era mentira?
Eu: Nãooooo! Para parecer mais real, só faltava a gente encontrá-lo à saída da loja!

2 comentários:

Manuela Peixoto disse...

hmm, de facto o amor tem esse poder....fazer com que as pessoas digam coisas sem qqr nexo e continuem a achar que não!!!

A menina do bairro disse...

xiça ...discoteca as 19h30m...deves!!!!

essa nem eu!